Atila Iamarino

Finalmente a bolha da IA vai estourar

Atila Iamarino1,1 mi visualizações41,3 mil2,7 mil21/10/202637:19Science & TechnologyPatrocinado

Resumo


Em uma frase

A bolha de investimento em IA segue o mesmo padrão de fraude financeira da Enron, com empresas criando dívidas ocultas enquanto anunciam lucros fictícios.

O vídeo não entrega diretamente uma resposta numerada ou lista de itens prometidos no título, mas responde à questão implícita "por que a bolha vai estourar" com base na análise histórica.

O padrão da bolha de IA espelha a Enron

A Enron revolucionou a fraude financeira ao contar como receita lucros presumidos antes de receber o dinheiro, vender contratos abandonados como lucro e criar empresas fantasma para esconder dívidas do balanço. Hoje, as Big Tech fazem algo semelhante, mas abertamente: criam entidades separadas para cada data center, atrelando dívidas a essas empresas em vez de ao balanço principal. A Meta, Microsoft, Amazon e outras usam esse artifício para manter a aparência de saúde financeira enquanto os gastos reais explodem .

A pirâmide circular de investimentos

O sistema atual funciona como um carrossel fechado. A Nvidia vende chips para cinco grandes clientes (Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, Oracle), que por sua vez gastam 70% de suas receitas com apenas dois clientes: OpenAI e Anthropic. Essas duas startups são financiadas pelas mesmas cinco empresas que compram chips da Nvidia. O dinheiro circula: Microsoft investe na OpenAI, que se torna seu maior cliente; Amazon e Google investem na Anthropic, que usa seus servidores de nuvem. Nvidia investe em startups que compram seus chips. Todos anunciam investimentos absurdos, as ações crescem, e o dinheiro muda de mão sem criar valor real .

Dívidas ocultas em escala épica

Segundo o Wall Street Journal, por trás dos 600 bilhões de dólares registrados em gastos, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft contraíram dívidas e compromissos não contabilizados de 2,5 trilhões de dólares. O endividamento real é quase cinco vezes maior do que o declarado. O CEO da Nvidia projeta que ainda será necessário gastar entre 3 e 4 trilhões adicionais em chips que, em muitos casos, sequer podem ser instalados nos data centers atuais por falta de energia elétrica .

Receitas fictícias e insustentáveis

OpenAI e Anthropic declaram receitas anualizadas de 40 a 65 bilhões de dólares, mas esse número é extrapolado a partir de períodos não divulgados, provavelmente os melhores dias do ano. Na prática, ambas gastam dezenas de vezes mais do que recebem. Segundo o CEO da Anthropic, o modelo atual é insustentável. Seus principais clientes são startups nas quais eles e seus investidores já investiram, criando um ciclo de apoio mútuo que depende do crescimento contínuo das ações .

O gasto sem precedentes

Quase 3% do PIB dos EUA (aproximadamente 10 trilhões de dólares até 2032) está sendo direcionado apenas para construção de data centers de IA. Essa é a maior concentração de recursos em uma tecnologia jamais registrada na história, superando até o Programa Apollo. No primeiro semestre de 2026, a construção de data centers foi a única forma de construção privada em expansão nos EUA, enquanto casas, prédios e indústrias sofreram queda de 50 bilhões .

A diferença perigosa com bolhas anteriores

Diferentemente das ferrovias ou da fibra ótica, que permaneceram úteis após o colapso, os chips de IA têm vida útil curta. A arquitetura é refinada a cada 1,5 anos e gerações sucessivas podem ser incompatíveis entre si. Chips antigos não funcionam em data centers novos. Além disso, as empresas prolongaram artificialmente a depreciação desses chips de 2-3 anos para 5-6 anos, contando como patrimônio mesmo quando estocados .

O elefante chinês na sala

Modelos de linguagem chineses são muito mais baratos de desenvolver e rodar, e estão se tornando mais populares que os americanos. Empresas do Vale do Silício já adotam modelos abertos chineses em vez de pagar por OpenAI e Anthropic. A China tem infraestrutura de energia excedente para rodar data centers, enquanto os EUA enfrentam gargalo energético. Desenvolvendo modelos abertamente, a China criou uma estratégia mais barata e sustentável a longo prazo .

Quando a conta chega

Essas dívidas começarão a ter que ser pagas de verdade em 2027. Para viabilizar o investimento, esses modelos de linguagem precisariam revolucionar o mundo e gerar trilhões em valor, o que não está acontecendo. A demanda permanece concentrada nas próprias startups onde as Big Tech investiram. Se o resultado final for apenas um modelo um pouco melhor e muito mais caro, enquanto a China já está adiante com gasto menor, a bolha não terá justificativa .

Chat


Entre para conversar com o vídeo.

Entrar

Palavras-chaves


videosharingcamera phonevideo phonefreeupload

Transcrição


A gente tá vivendo um momento surreal no

mundo. Aliás, vários momentos muito

surreais por vários motivos. Mas um

deles, talvez o de maior impacto

econômico no curto prazo, é o da bolha

de investimento em inteligência

artificial, que na verdade é o

investimento em grandes modelos de

linguagem que são um dos tipos de

inteligência artificial, porque tem

vários outros que dão lucro, que tem

investimento saudável, que tem bons

retornos, mas esse aqui em particular tá

muito estranho. Pra você ter uma ideia,

quase 3% do PIB, da economia dos Estados

Unidos, tão sendo investidos nisso, tão

sendo amarrados só na construção de data

centers pra rodar grandes modelos de

linguagem de algumas empresas. Essa é a

maior concentração de recursos na

construção de uma tecnologia que a gente

tem registro na história.

Toda a missão Apollo, quase 13 anos de

programa, do desenvolvimento dos

primeiros foguetes às seis caminhadas

lunares que nunca mais foram repetidas,

não custou no total,

por completo, por esses anos todos, o

que tá sendo investido em data centers

só em 2026. De novo, só em 2026.

Então, é hora de ver o que que foi a

última bolha de tecnologia, quem

estourou com ela, quem lucrou muito com

ela, quais foram as manobras financeiras

que fizeram parte disso e o quanto esse

passado rima com o que a gente tá vendo

hoje e como a China pode sair por cima

dessa, acredite ou não.

Ah, mas antes do assunto, uma dica da

Revolut pra você planejar suas viagens

usando seu dinheiro de forma

inteligente. No app da Revolut você pode

selecionar estadias ao redor do mundo

todo com desconto de até 60% e bônus de

pontuação. Dá pra pontuar até 15 pontos

por dólar reservando a sua estadia por

lá. Aí você aproveita os pontos da

estadia pra converter em milhas. No app

da Revolut já são mais de 40 companhias

aéreas pra usar os seus pontos, a

maioria delas internacional, mas também

tem nacionais. E a Revolut é uma das

únicas contas no Brasil que permite

transferir os pontos para companhias

aéreas internacionais. Se você começar a

usar o Revolut hoje, dá tempo de comprar

suas passagens aéreas só com os

benefícios do cartão. E com os cartões

Revolut, você pontua no débito ou no

crédito, tanto nas compras nacionais

quanto internacionais. No cartão Ultra,

por exemplo, que é o que eu uso, eu

ganho três pontos por dólar gasto no

crédito. Todos os meus gastos se

transformam imediatamente em benefício.

E se você não é das milhas, pode trocar

por benefícios para o seu dia a dia,

como os vales presente. Você usa os seus

pontos e resgata vouchers para usar

nesses parceiros. Tem transporte,

estadia, lojas e mais lojas, comida,

mercado e muitos outros benefícios. É só

voltar nos meus vídeos anteriores que

você vai ver como essa lista continua

crescendo. E o melhor, abrindo a sua

conta Revolut pelo meu link, você

garante até 200 reais de volta. É só

usar o seu cartão que você recebe

dinheiro de volta em todas as suas

compras elegíveis durante os seus

primeiros 30 dias, direto na sua conta e

já começa a valer desde a primeira

compra, seja no Brasil ou no exterior.

De volta. Faz mais de 60 anos que a

bolsa de ações, ou melhor, o índice S&P

500 das maiores empresas nas bolsas de

valores dos Estados Unidos, não tem uma

capitalização tão concentrada em tão

poucas companhias como a Nvidia, a

Apple, a Microsoft, a Alphabet, a Meta,

a Amazon, a Broadcom e outras com,

enquanto eu escrevo aqui, quase 40% do

valor de todas essas ações do S&P 500

concentrado nas 10 maiores empresas.

Só que da última vez que o mercado teve

tão concentrado assim, em 1965,

as 10 maiores eram empresas muito

diversas, tão diversas quanto alimentos,

química, informática e fabricantes de

carros. Agora, se não são empresas de

tecnologia que estão desenvolvendo

grandes modelos de linguagem,

inteligência artificial, são as que

vendem componentes para elas ou as que

investiram nelas. Tirando de vez em

quando quando aparece a petroleira

Aramco ali no meio na lista, mas mesmo

assim, ela pode estar fornecendo gás e

petróleo para quem está queimando isso

nos data centers.

E isso porque o valor investido na bolsa

de valores de agora tá numa alta

histórica, com uma entrada de muito

dinheiro de pessoas físicas nos Estados

Unidos que estão comprando participação

em empresas como uma forma de

investimento. É uma aposta enorme e

inédita em um futuro onde esse tipo de

tecnologia vai dominar a sociedade e

extrair um lucro sem precedentes, porque

se não for o caso,

aí vai ser complicado.

Só que essa aposta está baseada em

alguns problemas graves. É hora de dar

uma olhada na bolha dos anos 2000,

no que um dos grandes exemplos recentes

de trambique, a Enron, fez e usar essa

lente para pensar em como o que a gente

tá vivendo agora parece muito mais

complicado quando a gente levanta o

tapete para ver o que tem embaixo.

Antes de tudo, a Enron é um excelente

estudo de caso do tamanho que pode ser

um trambique financeiro quando pessoas

altamente qualificadas, que se acham

melhores e mais espertas do que todos os

concorrentes, podem fazer quando vem uma

chance de fazer muito dinheiro criando

uma armadilha que fica para o próximo

pagar na conta.

Uma lição em particular de como usam

brechas, esquemas, falta de

transparência e a boa vontade da

imprensa e de investidores para esconder

bilhões de dólares em dívidas e em

projetos sem retorno. E eu recomendo de

novo o Smartest Guys in the Room, que

detalha muito bem a explicação que vem

agora. A Enron começou com um negócio

que realmente dava lucro, que era

produção e distribuição de gás natural

em um período de bastante demanda nos

Estados Unidos. E aí ela aproveitou a

fama e o sucesso desse crescimento para

partir para novas áreas como negociação

de energia e até telecomunicações. Algo

que eu explico melhor como aconteceu no

vídeo sobre privatização de

infraestrutura. Agora, vale mais a gente

dar uma olhada para as práticas

financeiras criativas que a empresa foi

bolando e refinando para crescer o seu

tamanho e valorizar suas ações.

Por exemplo, ela foi a primeira empresa

a contar como receita o lucro presumido

de um contrato antes de receber o

dinheiro ou de saber o custo real de

operar aquilo. Como declarar um acordo

assinado para construir um serviço de

streaming com a Blockbuster, sim, uma

Netflix pré-Netflix,

como um lucro de 110 milhões de dólares,

imaginando o dinheiro que eles poderiam

fazer com isso, e depois manter esse

valor positivo no balanço, mesmo quando

o contrato foi abandonado e isso deu

prejuízo na realidade. Era só ser

otimista, projetar cenários mirabolantes

e conseguir um bater recorde atrás de

recorde no lucro registrado e inflar e

inflar o preço das ações com isso. Para

você ter uma noção da criatividade

contábil, quando resolveram investir em

telecomunicações, quando entraram na

bolha.com da internet que estava

bombando ali entre 95 e os anos 2000, a

pleno vapor,

descobriram a troca de fibra.

As empresas e as startups que estavam

competindo para instalar a rede de fibra

ótica que moveria o boom da internet que

estavam projetando, que de fato

aconteceu, só que levou décadas para

acontecer de verdade,

descobriram que que comprar fibra ótica

era uma coisa, agora instalar isso como

infraestrutura levava muito mais tempo.

Então as empresas estavam competindo

para comprar fibra ótica disponível para

fazer um estoque estratégico e privar

competidores do recurso.

Mas aí ficavam com essa fortuna em fibra

ótica parada por meses ou por anos num

estoque, numa num armazém, num galpão,

enquanto a instalação enfrentava o mundo

real.

E aí descobriram na Enron que se

vendessem a fibra que tinham estocada

para outra empresa e comprassem ela de

volta, a venda podia contar como um

ganho imediato, enquanto o gasto com a

fibra comprada de volta podia ser

tratado como investimento.

E investimento pode ser diluído por até

20 anos no caso da fibra ótica, que é o

tempo de depreciação dela, afinal ela

continua valendo por essa época toda. E

se todo mundo quer fibra, ela continua

valendo muito, mesmo depois de usada.

Então ela não perderia tanto valor.

Então, olha como fica o negócio levando

essa mentalidade em conta, não que isso

seja real.

Eu vendo para você 10 milhões de reais

em fibra ótica. Aí, você me vende 10

milhões de fibra ótica de volta.

Eu registro 10 milhões de receita com a

venda

e deduzo disso meio milhão, que é a

depreciação, que é o gasto diluído no

primeiro ano do meu investimento.

Ou seja, eu registro aí um lucro de 9

milhões e meio, que é essa diferença. E

você também. E ninguém precisou pagar

ninguém, ninguém precisou mover nada do

estoque, nada foi trocado de verdade, só

que essas duas empresas conseguiram

falar para os acionistas que a gente já

tá lucrando mesmo com essa fibra toda

parada.

E aí, nessa compra louca de fibra, de

comprar, estocar equipamento e fazer

esse rolo todo, a Cisco, que era a

principal fabricante de equipamento de

comunicação da época, inflou em valor de

mercado até se tornar a empresa mais

valiosa do mundo por alguns meses, até o

estouro da bolha derrubar o valor das

suas ações, que continuaram valendo de

1/4 ou um tanto menos do que chegaram a

valer no pico por 25 anos, até a demanda

recente gerada pelo crescimento atual da

IA trazer ela de volta para aquele valor

de mercado.

E o principal, o que viabilizou muito do

que foi a Enron, foi quando criaram

entidades especiais, empresas à parte,

que absorviam o custo e o risco para

manter o balanço da Enron limpinho.

Algumas, inclusive, viraram grandes

laranjas de esquemas enormes.

Por exemplo, se uma usina de energia da

Enron só daria lucro ao longo de muitos

anos de produção,

eles teriam que esperar 20 anos para

poder dizer que lucraram X? Podiam, na

verdade, vender essa usina para uma

empresa criada para isso, uma spin-off,

pelo valor cheio desses anos todos e

contar isso como lucro imediato.

Então, essa empresa servia só para essa

manobra fiscal, para declarar como lucro

uma um lucro presumido da usina por

décadas.

Ou podiam, por exemplo, comprar uma

parte da fibra ótica parada no estoque e

fazer aquela troca de fibra. Ou essa

empresa podia ser criada para comprar os

assets podres, a parte que realmente

dava prejuízo, por um valor muito maior

do que aquilo realmente valia, então

limpando o balanço e ainda inflando mais

o lucro da empresa.

E depois, completando esse esquema

circular, eles podiam comprar de volta

essa empresa, contando a compra com

lucro também.

E de onde vinha o dinheiro para essas

manobras todas? De empréstimos bancários

e da venda e da valorização das ações da

Enron. Por isso, para os bancos e para

bolsa de valores, eles tinham que

mostrar um lucro constante e crescente,

o que mantinha a reputação da empresa em

cima e também mantinha uma linha de

crédito aberta para poder emprestar cada

vez mais e fazer empréstimo para pagar

empréstimo.

Depois começaram a usar as empresas à

parte, essas empresas criadas para isso,

para fazer securitização,

que é agrupar dívida e vender essa

dívida como um título para acionistas,

que vão ficar com o lucro dos juros que

estariam pagando para o banco.

Eles também podiam criar empresas com os

credores, que compravam algo da Enron,

como declarar que compraram um volume x

de gás natural ou de petróleo, pagavam

adiantado e depois de um tempo vendiam

isso de volta parcelado ou alugavam para

a Enron com juros. Vulgo, estavam

fazendo empréstimo, mas que no papel

contava como investimento externo ou

como uma venda e inflava mais as ações.

A questão era manter os investidores

maravilhados o suficiente para não

quererem olhar com atenção para o que

estava acontecendo por trás da cortina,

enquanto essa dívida estava crescendo,

crescendo, crescendo escondida. E como

dar conta de dívidas e dívidas e dívidas

crescentes?

Mais acionistas tinham que entrar.

A garantia dos empréstimos, o

financiamento dessas empresas laranjas e

as parcerias de investimento usavam as

ações da Enron como garantia. Então, por

exemplo, criavam uma empresa que

comprava da Enron uma usina dando

prejuízo usando ações da Enron, isso

contava como entrada de dinheiro e

liberava o gasto do balanço e fazia as

ações subirem, o que cobria esse gasto.

Financiavam de novo a dívida com o banco

usando ações que agora valiam ainda mais

como garantia e o dinheiro de um

empréstimo ou de uma venda de pacote de

securitização servia para pagar os juros

dos outros empréstimos que já tinham

feito. Enquanto as ações continuassem

subindo, a valorização delas bancava

essa pirâmide financeira que só estava

crescendo.

E o problema seria de quem sobrasse no

dia em que as ações parassem de crescer,

como elas pararam.

O motor que inflou tudo isso e motivou

quem participou foi justamente essa

entrada de dinheiro de investimento,

tanto do público empolgado e iludido com

as falsas projeções,

quanto o pessoal que foi comprando ações

no processo e lucrando com isso. Os

contratos, as promoções, as metas dos

funcionários, tudo dentro da Enron era

orientado para garantir que as ações

continuariam subindo de valor, de

preferência acima de 10 a 15% ao ano.

Daí a necessidade de evocar em lucro a

partir de qualquer acordo, mesmo que

esse lucro não existisse de verdade. E

de ficar saltando de mercado em mercado,

primeiro no gás natural, depois na

energia elétrica e depois até na

internet, fibra ótica e telecomunicações

para fazer

uma impressão de que tinha para onde

crescer.

Aí,

por mais de uma década, a Enron foi

crescendo,

declarando lucros recordes e valendo

cada vez mais, enquanto por dentro ela

criava dívidas em cima de dívidas, mas

como essas dívidas estavam em nome de

empresas laranja, elas não apareciam no

balanço. E o que o processo fazia era

justamente inflar o balanço e o lucro da

Enron, agradando investidores e fazendo

as ações subirem ao mesmo tempo que os

altos cargos, que sabiam o que estava

acontecendo e estavam fazendo isso

acontecer, recebiam bônus absurdos por

baterem metas de crescimento. Ganhavam,

ganhavam e ganhavam, ganhavam ações,

ganhavam bônus, ganhavam várias coisas e

depois pulavam do barco antes que a

bomba estourasse.

Quem também ganhou bastante dinheiro

foram os auditores que deveriam ter

notado as irregularidades, mas estavam

fazendo dinheiro demais com a Enron

enquanto ela crescia. A bomba podia

estourar um dia e estourou, mas quem

participou fez muito dinheiro no

processo. No dia em que as dívidas

ficaram grandes demais e aí as ações de

fato pararam de crescer e aí o castelo

desabou porque não tinha mais como

financiar a dívida,

o prejuízo ficou para quem comprou as

ações e perdeu todo o valor. Quem fez

empréstimo ficou com os juros

e tinha seguro desses empréstimos, quem

trabalhou dentro da Enron montando todo

esse esquema já tinha ficado com os

bônus multimilionários,

ou seja, ela cumpriu a função de dar

lucro para quem tinha condições de

lucrar. Esse lucro só não ficou com quem

acreditou nas ações.

Agora, conhecendo esse processo de

empréstimo em cima de empréstimo gerando

um emaranhado circular de empresas e

processos obscuros que tiram do balanço

uma dívida, vamos dar uma olhada em como

é que tá a situação do boom atual de

inteligência artificial.

Até ontem, até três anos atrás,

Alphabet, que é a dona do Google, Meta,

que é a dona do Facebook, WhatsApp,

Instagram, Amazon, Oracle e Microsoft

eram as empresas que tinham muita grana

para investir, muito dinheiro sobrando

porque lucravam muito mais do que custam

para operar.

Nunca precisaram captar empréstimo de

banco até pouquíssimo tempo atrás.

Então, no primeiro momento, quando

começa a competição para investir na

construção de data centers, são empresas

que tinham condições inéditas, que

outras empresas não têm, de bancar o

investimento insano em infraestrutura,

em chips e data centers, onde esses

chips vão ser instalados, para contar

com um retorno futuro. Isso foi o que

elas sempre fizeram numa boa.

Só que o hype em torno dos modelos de

linguagem ficou tão grande que quem não

investe mais do que o concorrente parece

que perdeu o bonde e as ações caem.

Aí todo mundo tem que investir muito

mais do que os outros que tá investindo

mais, que tem que investir mais. E tendo

que gastar para manter status, o gasto

com chips e construção de data centers

chegou num ponto tão alto e tão grande

que nem esse balanço inédito dessas

empresas sustenta e elas passaram a

precisar tanto de investimento externo

quanto de empréstimos. E é aí que a

coisa começa a ficar um pouco

complicada.

Começando com investimento externo. As

ações dessas empresas não param de subir

e os motivos parecem muito promissores.

Para pegar quem mais cresceu com isso

tudo, a empresa mais valiosa do mundo

nesse momento, quem tá vendendo as pás

para essa corrida do ouro, quem tá

vendendo a calça jeans para esses

mineradores, quem tá vendendo os

aparelhos de telecomunicação para as

empresas de internet, atualmente é a

Nvidia que faz os principais chips de

ponta para processamento de grandes

modelos de linguagem em data centers.

No relatório de agosto para os

investidores dele, de agosto de 2026, a

Nvidia deu a ótima notícia de que o seu

lucro dobrou em relação ao ano anterior.

E mais ainda, deve quase dobrar de novo

em 2027.

Olha que insano, é a maior empresa do

mundo desse tamanho valendo 5 trilhões

dizendo que de 2025 para 2026 ela dobrou

a receita e deve quase dobrar de novo

para 2027. Olha o tamanho desse mercado.

Isso faz dela uma das, se não a empresa

mais lucrativa dos Estados Unidos.

Com um detalhezinho, um detalhe

pequenininho que colocam lá no rodapé

suplementar do seu relatório financeiro.

Cerca de 70% dessa receita veio de cinco

clientes não nomeados.

Agora, se a gente olhar para os cinco

maiores construtores de data center, que

por acaso podem estar comprando bilhões

e bilhões em chips da Nvidia, empresas

como Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e

Oracle,

cerca de 70% da receita dessas cinco

empresas vem de dois clientes,

OpenAI

e Anthropic.

Ou seja, tá todo mundo aí, a Nvidia

pendurada em cinco empresas e cinco

empresas pendurada por fita crepe nessas

duas empresas, OpenAI e Anthropic.

E quem é que investe

na OpenAI e na Open e na Anthropic com o

dinheiro que elas estão gastando com

Nvidia, com Alphabet, com Meta, com

Microsoft, com outras coisas? Quem

investe nelas são Nvidia, Alphabet,

Microsoft, Meta, Oracle e Amazon.

O que parece um pouquinho circular, até

você olhar mais de perto. Aí você vai

ver que é totalmente circular.

O maior investidor na OpenAI em 2023 foi

a Microsoft e a OpenAI se tornou o maior

cliente da Microsoft, gastando o

dinheiro todo que foi investido nela com

a Microsoft. A Amazon e o Google

investiram na concorrente da OpenAI, a

Anthropic, que usou esse dinheiro em

nuvem da Amazon e nuvem e chips do

Google.

Aí a Nvidia aproveitou essa valorização

das ações para fazer investimento em

startups e grandes empresas promissoras,

como a OpenAI, como a Coreweave, como a

XAI, que quando não compram os chips da

Nvidia diretamente, gastam com as

empresas que compram os chips da Nvidia.

Aí a Microsoft e a Nvidia também

resolveram investir na Anthropic, que

tinha ficado de lado, que passou a usar

servidores da Microsoft com os chips da

Nvidia.

Aí a Amazon também foi investir na

OpenAI, que também começou a usar a

nuvem da Amazon. Aí a Oracle, que chegou

atrasada, também investiu na OpenAI, que

passou a usar esse dinheiro para usar a

nuvem da Oracle.

E por aí vai.

O dinheiro fica trocando de mão, todo

mundo anuncia investimentos absurdos e

uma demanda absurda, as ações de todo

mundo crescem e quem investiu nas

empresas vê esse dinheiro se

multiplicando

enquanto a bolha fica para quem chegar

depois.

E sabe quem mais entra aí no meio, quem

tá aparecendo?

Empresas especiais criadas para receber

dinheiro e fazer investimento fora do

balanço financeiro das empresas. A Meta,

por exemplo, tem criado organizações

individuais para cada data center que

ela constrói, atrelando o débito, os

empréstimos a essas empresas e não a

Meta em si. E ela não é a única, todo

mundo tá fazendo o mesmo para manter o

balanço muito positivo apesar dos

gastos.

E aí você pode ver coisas como uma

empresa que foi fundada com ações da

Nvidia e da XAI do Musk, que compra os

chips da Nvidia, assume essa dívida e

aluga esses chips para a XAI. Então não

é que a empresa do Musk fez uma dívida,

quem fez a dívida é um terceiro que usa

o dinheiro da empresa do Musk para pagar

essa dívida e empresta esses chips para

a empresa do Musk.

Também tem um pool de investidores com a

Nvidia criando pacotes de securitização

de dívidas, assim conseguem sustentar

startups que não poderiam comprar chips

por conta própria ou que não conseguem

pagar pelos chips que precisam porque

não se sustentam financeiramente, mas

uma hora vão sustentar.

O que cria mais demanda de chips da

Nvidia,

que todo mundo tá comprando numa corrida

maluca,

mas esquece a fibra ótica.

O que na prática tá tirando esse débito

do balanço da Nvidia. Ou seja, todo esse

gasto que eu tô comentando no começo do

vídeo, que eu vou retomar logo mais, é

só uma parte do gasto real que essas

empresas estão fazendo. E quais são as

garantias desses investimentos e desses

empréstimos? As ações das empresas e os

chips, porque afinal o chip tá em

demanda e eles estão valendo muito.

Chips feitos por essas mesmas empresas,

comprados por essas mesmas empresas ou

por outras que aparecem aí processo que

trabalham para elas, Como a CoreWeave,

que é uma empresa que recebeu chips e

investimento da Nvidia e contratos da

Microsoft, da OpenAI e da Anthropic e da

Meta para construir data centers para

elas, o que gerou, você imagina,

lucro. Tá, quem precisa de lucro? A

CoreWeave gerou uma pequena dívida de 50

bilhões de dólares em empréstimos que

tem deixado os investidores que puseram

dinheiro em ações deles um pouquinho

preocupados.

Não porque seja algo ilegal criar essas

empresas,

como foi o caso da Enron, que escondeu

empresas que ela tinha feito para isso.

Agora é tudo feito abertamente e de

forma bem mais auditável.

Mas sim, porque

pode ser financeiramente insustentável,

apesar de estar todo mundo sabendo o que

tá acontecendo, como que aconteceu com a

Cisco quando a bolha da internet

estourou no ano 2000, principalmente

porque tá todo mundo preso no mesmo

bololô agora, comprando um do outro,

gerando demanda um pro outro. E o

cenário só fica mais confuso com os

empréstimos que começaram a fazer com

bancos, com empresas, com governos, já

que precisam de ainda mais dinheiro e

nem investimento tá dando conta, então

eles estão emprestando dinheiro pelo

mundo todo. As Big Tech, essas empresas

que tão construindo data centers, sempre

foram muito lucrativas, sempre foram as

empresas que tem as maiores margens e

reservas de dinheiro até muito tempo,

pouco tempo atrás. Então agora elas

chegam para competir por empréstimo no

mundo inteiro com fôlego que ninguém

mais tem e com isso elas tão conseguindo

emprestar dinheiro para construção de

data centers em todo lugar, muito mais

rápido e muito mais dinheiro do que o

resto do mundo da conta de emprestar.

Essas empresas tão emprestando bilhões e

bilhões de dólares canadenses, de

francos suíços, de ienes, de euros, de

libras e o que mais aparecer pela

frente. E aí não só elas tão entrando

numa dívida inédita, amarrando vários

países no processo, como tão tornando o

dinheiro disponível para investimento e

empréstimo pelo mundo mais escasso e

mais caro para todas as outras empresas.

Para Para ter uma noção da escala que tá

acontecendo, isso pode estar

interferindo nos valores de títulos de

tesouro dos países. Eles podem chegar ao

ponto de estar competindo com empréstimo

por governos, que é uma outra escala.

E levando os bancos juntos, como é o

caso, por exemplo, do SoftBank do Japão,

que contraiu uma dívida histórica

inédita para eles, para continuar

investindo na Open AI, com a qual já

gastaram mais de 60 bilhões de dólares.

Então, estão queimando dinheiro para

continuar mantendo a empresa de pé até

conseguirem passar essa batata quente

para o próximo.

E sabe-se lá o que vem pela frente.

E aí, nesse ritmo de gastos, os

hyperscalers, que são essas empresas que

estão construindo data centers nesse

ritmo, caminham para gastar por volta de

10 trilhões de dólares até 2032, o que

corresponde a mais de 3% do PIB dos

Estados Unidos sendo direcionados para

só uma indústria, o que é o maior gasto,

o gasto mais concentrado da história do

país. No passado, eles já tiveram ciclos

de explosão de tecnologias que sugaram

investimentos muito acima do que era a

demanda real.

Foi o que aconteceu na maior mania de

todas, que foi a construção de ferrovias

no final do século XIX, onde muita gente

contraiu dívida e pôs muito mais

dinheiro para construir muito mais

ferrovia do que de fato precisavam.

O que chegou a consumir 2,2% do PIB. A

bolha.com de construção de internet

muito antes e muito mais rápido do que

de fato a demanda por internet cresceu,

que aconteceu nos anos 2000, viu cerca

de 1% do PIB sendo investido em

telecomunicação. O gasto atual em 2026

já chega quase 2% do PIB. É tanta

concentração de dinheiro que no primeiro

semestre de 2026, o gasto com data

centers foi o único tipo de construção

privada que cresceu nos Estados Unidos.

Foram 9 bilhões de dólares gastos a

mais, enquanto o gasto com qualquer

outra forma privada de construção,

casas, prédios, indústrias, lojas,

galpões, shoppings, o que você quiser

pensar, qualquer coisa, caiu em quase 50

bilhões no mesmo período. Sugaram tanto

dinheiro e tanta mão de obra que data

centers são a única construção privada

em expansão nos Estados Unidos em

detrimento do resto, crescendo no lugar

do resto.

Até o preço do cobre tá subindo e pelo

mundo.

Só que agora, além de ter um

investimento consideravelmente maior e

mais concentrado do que bolhas passadas,

esse crescimento ainda é absurdamente

menos perene, muito mais depreciável

do que os anteriores. Porque um dos

argumentos pró bolha que se dá de "Ah,

pode ser uma bolha, mas no fim isso tudo

que tão fazendo pode ser importante,

pode ser usado", é que mesmo pra bolhas

econômicas passadas sendo bolhas, os

ciclos de investimento deixaram pra trás

muita infraestrutura que continua sendo

usada e rendendo bem depois da bolha

estourar. As ferrovias ainda são

importantes mais de um século e meio

depois. A rede de fibra ótica dos anos

2000 ainda é usada e sustentou muito do

crescimento da internet que veio depois.

Só que esses dois casos são casos de

construção de infraestrutura, onde muita

coisa pode passar por cima. Qualquer

tipo de trem pode passar numa ferrovia,

qualquer tipo de dado pode passar por

uma fibra ótica.

O grosso do gasto atual com inteligência

artificial, com grandes modelos de

linguagem, é a compra de chips altamente

especializados, desenvolvidos com uma

arquitetura que ainda tá sendo refinada

e tá ficando ultrapassada em coisa de um

ano e meio, de uma geração pra outra,

que é usada especificamente

dentro de data centers para modelos de

linguagem atuais, vindo daí o vídeo.

E as gerações de um chip pra outro podem

ser incompatíveis entre elas, ou seja,

um chip mais novo não funciona em data

centers ultrapassados, e ultrapassados

aí com alguns anos.

As placas-mãe da geração anterior não

comportam chips da geração seguinte em

muitos casos. Então, se quiserem manter

essa corrida usando os chips de ponta,

precisa trocar

tudo junto. E passando de novo pra

lembrar que a Revolut é a patrocinadora

do time da Audi na Fórmula 1 e já é o

app de finanças mais baixado da Europa.

Se você viaja por lá, a Revolut está

presente em vários aeroportos, são mais

de 80 milhões de clientes ao redor do

mundo, você pode confiar e aproveita que

se você abrir a sua conta Revolut pelo

meu link, você garante até 200 reais de

volta direto na sua conta. E voltando,

numa grande coincidência, que você vai

ver como sua familiar, as empresas que

estão comprando esses chips todos

começaram a prolongar o tempo de

depreciação dos chips de dois ou três

anos para cinco ou seis. Elas começaram

a considerar que eles continuam valendo

por mais tempo, de maneira que esse

gasto todo agora pode ser diluído no

relatório financeiro por mais anos como

investimento, enquanto os chips

continuam contando como patrimônio,

mesmo que estejam estocados.

E mesmo que esse seja o caso agora,

diferente da fibra ótica antes, e que a

demanda por IA e por data centers mantém

os chips procurados por mais mais tempo,

valendo mais, com o mercado de usados

bastante aquecido, que eles continuem

valendo 10 anos, isso ainda está longe

de ser a durabilidade de um cabo de

fibra ótica ou de um trilho de trem, que

dirá a universalidade deles.

E com esses data centers também vem uma

demanda por energia elétrica, por água e

por outros recursos da região

que são gastos agora com dinheiro de

investimento que é tão forte que elevam

o preço de tudo e capturam a energia

elétrica de fábricas, de casas que

precisam fechar ou mudar.

Então são gastos que além de tudo

alteram a região toda onde eles

acontecem.

E a bagunça com esse bololô todo está

tão grande que ela ofusca o

endividamento real dessas empresas,

ainda mais com empresas intermediárias

ajudando a limpar o balanço financeiro.

O Wall Street Journal calculou que até o

meio de 2026,

por trás dos 600 bilhões de dólares de

gastos que estão no balanço registrados,

a Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft

contraíram dívidas e assinaram

compromissos que não estão entrando no

balanço de mais 2 trilhões e meio de

dólares, Mais dois trilhões e meio de

dólares. Quer dizer que o endividamento

real é quase cinco vezes maior do que o

registrado e declarado. Enquanto o CEO

da Nvidia está projetando que as

empresas vão ter que gastar entre três e

quatro trilhões de dólares a mais em

infraestrutura, comprando seus chips, se

quiserem manter as ações da Nvidia

crescendo, ou melhor, se quiserem

continuar competitivos em inteligência

artificial.

Tudo isso para comprar chips que não

podem ser plugados em data centers

agora. Não estão sendo plugados porque

demora para construir os data centers

especializados e porque simplesmente não

tem energia elétrica suficiente nos

Estados Unidos

porque estão construindo no momento.

Lembrando bastante aquela fibra que

ficou estocada nas empresas em 99.

Segundo a Goldman Sachs, essas empresas

que estão construindo data centers nesse

ritmo, com esse gasto, precisariam gerar

uma receita anual de, ah, de pelo menos

300 bilhões de dólares para pagar o

investimento que tem sido feito,

registrado no balanço. E idealmente

teriam que movimentar mais de um trilhão

de dólares por ano para ter margem de

lucro segura.

Só que a receita atual de todas essas

empresas não chega, sendo muito

generoso, ignorando que muito disso é

circular, a 200 bilhões de dólares. E o

grosso desse gasto está concentrado e

está sendo feito por OpenAI e Anthropic.

E mesmo se essa receita crescer, os

gastos vão crescer junto, porque para

essas empresas crescerem, elas têm que

subsidiar o que elas fornecem. Então, se

elas crescem, o quanto elas gastam e

devem crescer mais rápido. E para piorar

tudo, esse gasto está todo amarrado com

empresas emprestando ou investindo em

outras empresas, como a gente já falou

por aqui, o que faz mesmo quem quer

isolar os riscos na hora de entrar nesse

mercado, acabar diluindo o seu dinheiro

com o mercado todo, se amarrando com

todo mundo e aí todo mundo gasta junto,

todo mundo aposta junto e se um quebrar,

todo mundo tem o potencial de quebrar

junto.

No fim, na ponta de isso tudo, tá todo

mundo dependendo da Anthropic e da

OpenAI darem lucro.

E qual é a saúde delas? Qual é o lucro

delas?

Depende do que você infere como lucro ou

como receita. Se você acreditar no que

eles declaram como receita anualizada,

que pode ser algo entre 40 bilhões de

dólares para a OpenAI e 60 bilhões de

dólares, 65 bilhões de dólares no caso

da Anthropic, esse é o lucro deles. Aí

você pergunta: o que que é uma receita

anualizada? É você extrapolar a receita

de um período que seria representativo

para estimar quanto a empresa vai fazer

ao longo de um ano se a demanda atual se

mantém. Que período é esse?

É o dia de maior demanda do ano vezes

365? É a melhor semana vezes 52? É um

bom mês vezes 12? Não dá para saber

porque isso não divulgam. O mais

provável é que estejam escolhendo a

melhor data, a melhor conta possível e

extrapolando a partir disso.

Qual é o lucro real, então? Quanto essas

empresas estão fazendo de fato? Ah, é um

lucro enorme se você ignorar o quanto a

empresa gasta, segundo o CEO da

Anthropic. Quer dizer, é só ignorar que

eles devem gastar dezenas de vezes mais

do que eles recebem, porque o modelo de

negócios deles atual é insustentável,

e que os seus maiores clientes são as

startups onde eles e os seus

investidores investiram e, claro,

continuar comprando as ações quando

entrarem na bolsa de valores e aí,

enquanto a ação subir, tá tudo bem, tá

todo mundo fazendo dinheiro.

E para viabilizar essa dívida toda, que

começa a ter que ser paga de verdade em

2027, então você já fica sabendo quando

começa o chacoalho, esses modelos de

linguagem precisariam revolucionar o

mundo. Na prática, precisariam tornar

empregos,

muitos empregos,

obsoletos o suficiente para passarem a

valer trilhões de dólares, o que não

parece estar acontecendo, mesmo porque a

demanda deles continua extremamente

concentrada nas próprias empresas nas

quais eles investiram.

E tem, além de tudo, um outro elefante

aí na sala, que é a chance desse modelo

de negócios empresarial, com grandes

modelos, rodando em grandes data

centers, nem existir no futuro. Porque

no cangote dos modelos de linguagem

dessas empresas, gastando essa

quantidade obscena de dinheiro nos

Estados Unidos, tão os modelos chineses,

que são modelos de linguagem muito mais

baratos de desenvolver, muito mais

baratos de rodar e modelos abertos, que

as pessoas podem baixar e rodar nos seus

computadores. E tão ficando cada vez

mais populares, mais populares do que os

modelos dos Estados Unidos.

Mostrando que ao invés de usar um

chatbot como o ChatGPT, que depende de

um data center gigante e de um plano de

assinatura,

que mesmo subsidiado,

custando para você muito menos do que

ele custa de verdade para a OpenAI, as

pessoas podem preferir rodar modelos

locais a baixo custo nas suas empresas

ou nas suas casas. Ao ponto que as

próprias empresas do Vale do Silício,

nos Estados Unidos, tão adotando modelos

chineses abertos na manha e resolvendo

seus problemas sem ter que assinar

Anthropic, OpenAI ou quem for os

intermediários deles.

E é,

a longo prazo, agora falando, na China

que tão as fábricas que implementam e

referem inteligência artificial em

robótica, em produção e logística, o que

é, de fato, a demanda futura empresarial

ou industrial por inteligência

artificial, além de grandes modelos de

linguagem, como diz o próprio relatório

do governo dos Estados Unidos apontando

essa fraqueza e essa vulnerabilidade

enorme deles.

E tem uma outra coisa, além de tudo.

Como eu explico no vídeo sobre energia

nuclear, a China continua crescendo a

sua infraestrutura de energia elétrica e

já tem infraestrutura

excedente para rodar inteligência

artificial e data centers, o que nos

Estados Unidos é o grande gargalo dessa

computação toda.

E por conta dos Estados Unidos, pela

restrição de chips que eles mesmos

fizeram e impuseram na China e pelo fato

dos chineses começarem depois a

desenvolver modelos de linguagem,

eles seguiram desenvolvendo modelos

abertamente, que custam, que usam muito

menos chips para rodar, o que acabou

gerando uma estratégia mais barata e

mais sustentável a longo prazo, enquanto

nos Estados Unidos embarcaram nessa

corrida maluca, se embrenhando no

governo e apostando em gastar para

ganhar e ganhar para gastar, e aí nesse

loop de investir no que está crescendo e

crescer porque estão investindo, em nome

de fazer algo maior e melhor, a coisa

vai inchando muito mais do que inchou

nos anos 2000 até agora, com algumas

diferenças que tem o potencial de deixar

essa bolha ainda maior nos Estados

Unidos.

Porque além de um potencial de quebra da

economia absurdamente maior com essa

concentração toda nessas empresas, ao

contrário da Enron, por exemplo, no ano

2000, que flopou quando a bolha .com

estourou,

que começou a ser questionada na época

por investidores quando isso tudo estava

acontecendo, agora empresas como a

OpenAI e a Anthropic ainda tem algumas

estratégias para distrair,

que podem fazer essa bolha crescer muito

enquanto as pessoas estão olhando para

outras coisas. Elas podem, por exemplo,

continuar deixando os seus modelos

soltos, conectados à internet e com toda

a computação que precisarem para poder

invadir sistemas de outras empresas e aí

dizer que a inteligência artificial está

ganhando consciência, escapando e ela é

perigosa demais, e aí precisam de uma

regulação que impeça o uso de modelos

chineses no país.

Também podem arrumar uma desculpa para o

fato de que os modelos não melhoram

significativamente

há anos já, apesar de um gasto

absurdamente maior,

que é a desculpa de que é melhor

desacelerar então, porque está ficando

muito perigoso. A ciência não tem que

falar que chegou num teto e não tem mais

dinheiro ou informação disponível para

treinar um modelo melhor.

E o principal,

podem continuar professando medo,

fazendo essa estratégia de marketing

apocalíptico, de que estão criando um

Deus na máquina, uma inteligência

sobre-humana que vai mudar o mundo e

deixar todo mundo rico ou pobre ou sem

emprego ou com o que for. E tem que

torcer para que esse seja o caso, porque

se o que espera a gente no final da

construção desses data centers é

simplesmente um modelo de linguagem um

pouquinho melhor e muito mais caro,

a China já está na frente há muito mais

tempo sem fazer esse gasto. E aí?

Mas olha pelo lado bom, pelo menos se

isso acontecer,

o preço dos eletrônicos que estão sendo

disputados agora para a construção de

data centers vai voltar para patamares

normais. Celular deve voltar a custar

menos, chip de computador, memória e

outras coisas. É só o resto todo que não

deve continuar normal.

Se você quiser outras conversas como

essa, aproveita, se inscreve aqui no

canal, assim você recebe os vídeos

regulares e o Não Ficção, nosso podcast

de ciência do dia a dia com

especialistas sempre de humanos para

humanos enquanto a gente passa por essa

maré. Até a próxima.